“Te amo lá fora”: tem seus momentos, mas ainda assim não é bom

Primeiras impressões do disco “Te amo lá fora”, de Duda Beat

Vou começar esse texto falando de quando vi um show dela, em Recife. Estava nessa festa especificamente pra ver a banda que ia tocar depois dela, então involuntariamente acabei assistindo sua apresentação. E a implicância que eu tinha com ela acabou (ou diminuiu): com um show animado e contagiante, é legítimo o fenômeno Duda Beat e sua missão de narrar os relacionamentos modernos. “Bixinho” é um hino dos amores líquidos do século XXI. Aliás, já tinha ouvido seu primeiro álbum, “Sinto muito”, e gostado dos arranjos. Mas o que foi lançado ontem, “Sinto muito lá fora”, eu sinto muito, mas deixa a desejar.

Como disse no início, esse texto é baseado numa primeira ouvida no novo trabalho da pernambucana. Já sabia que ele explorava uma ampla gama de ritmos — pisadinha, trap, pagode baiano, reggae, pop, eletrônico e até coco de roda — , mas logo de início não gostei das letras. Achei genéricas, com muita repetição de palavras, pouco originais e até parecidas com as presentes nas músicas do “Sinto muito”. E isso nada tem a ver com o tema central do álbum e da carreira de Duda, a sofrência —penso que dá sim pra falar de um assunto só de formas diferentes.

Mas a verdade é que não tô aqui pra detonar o trabalho da garota. “Te amo lá fora” tem, sim, seus momentos. Primeiro eu destacaria a música “Nem um pouquinho”, com o rapper Trevo. Uma mistura de trap com pagode baiano, envolvente, divertidinho e despido de culpa de ser trouxa.

Tô fazendo uma crítica aqui, mas meu coração também não é de pedra não. O ponto alto do álbum, pra mim, é a sequência “50 meninas” e “Decisão de te amar”. Na primeira, automaticamente fui colocada no lugar do eu-lírico e… senti. Engoli seco e senti a fossa. Foi uma das poucas vezes que Duda Beat me fez sentir a sofrência. Já a segunda, é uma música fofa, alegre, com uma letra ok e que tem potencial pra ser chiclete.

A última música que eu destacaria positivamente é a última do disco, “Tocar você”. Uma eletrônica legal de dançar (a maioria das músicas da artista são dançantes, né? Mas essa me chamou a atenção).

Eu vi no Twitter gente dizendo que esse disco era um pop perfeito. Na mesma rede social, uma pessoa postou que ele parecia ter sido criado por algoritmos. Já eu, sinto que “Te amo lá fora” tem seus momentos — poucos — , mas ainda assim não chega a ser um bom álbum. Em comparação com o “Sinto muito”, que também achei apenas ok, é inferior.

E tudo bem. Faz parte fazer bons trabalhos e outros nem tanto. Sempre vai ter quem goste. E sempre vai ter quem não.

por Ananda Zambi

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